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  • Gabriela Mund

Adulto Índigo: Seja você mesmo!

Eu nunca soube ao certo quem eu era, até que um dia eu me decidi a procurar a minha verdade dentro de mim mesma.


Até esse dia, tudo era desconexo, nada parecia fazer muito sentido. Em nada eu via um propósito, tudo parecia em vão, e eu não queria mais aquilo. Por mais que eu buscasse mudar de lado, jogar outro jogo, perceber a vida de outra forma, virar do avesso... não... não era assim que deveria ser...


Então, foi de uma hora pra outra, e de repente, tudo precisava fazer sentido. As pessoas deveriam ter um significado. As coisas do dia a dia precisavam fazer parte de um conjunto, de um plano. E eu? Eu precisava conseguir encontrar o meu lugar nesse louco mundo em

que eu nasci.


Não é fácil ser diferente, não é mesmo! Não é fácil lidar com as caras feias e os olhares de julgamento, não é mesmo! Somente quem passa por isso sabe exatamente do que falo hoje. Não importa o que eu faça, não encontro o “tom” da vida, o ritmo que devo seguir.


Foi então que resolvi começar a deixar de lado o que aprendi durante a vida, e comecei a colocar em prática, o que fluía bem de dentro de mim... E mesmo sendo difícil de início, ontem eu tive a certeza que vale a pena!


Tenho dois filhos em idade pre-adolescentes, e até dois três anos atrás eu era extremamente exigente com a escola. Notas boas eram sinais de inteligência, de dedicação, de esforço, de disciplina... bom, de tudo aquilo que eu aprendi sendo filha de pais de origem europeia! Ser bom não era o suficiente, era preciso ser o melhor. Nota boa era apenas o 10,00, as outras “ainda poderiam ser melhores”.


E nesse contexto eu, diferente, com um coração sangrando por tanta rigidez eu cresci... As marcas de uma exigência grande demais para quem só precisava ser alegre e feliz acabaram apagando o meu brilho no olhar e tudo ficou escuro de repente. Me lembro que eu era muito pequena, tinha uns 9-10 anos e já vivia uma depressão, que hoje percebo que já era bastante profunda. Mas eu só tinha 9-10 anos!!!! Isso podia ser justo? Não... não era justo.

Não era justo por que eu precisava ser mais, eu precisava de mais, eu precisava... mas meus pais, achando que estavam fazendo o melhor por mim, dentro do que eles acreditavam e tinham vivido, fizeram a parte deles, pois cheguei aqui. Não me faltou amor, carinho e colos, isso nunca faltou...


O tempo passou, segui o padrão de uma vida normal, dentro daquilo que a sociedade estabelece como normal e por incrível que pareça, acabei implantando o mesmo padrão exigente na minha casa, com meus filhos...


Tinha a média da escola, mas tinha também a “minha média” e não poderia ser abaixo daquilo que eu estabelecia. Eu sofria por aquela maneira de agir, mas eu não sabia ser diferente, eu temia errar no caminho da criação dos meus filhos, que fossem pessoas “fracas”, sei lá...


Mas há quase três anos atrás, quando resolvi começar um processo de transformação, sem volta, pois não tinha mais como voltar para um lugar que nunca foi meu, em que eu nunca me reconheci e precisei quebrar as regras, desafiar o mundo e aprender a acreditar nos meus olhos que observam o mundo de uma forma diferente e seguir o meu coração.


Então no ano passado, meu filho mais velho estava no sexto ano. No primeiro trimestre eu ainda exigia um bocado, no tempo de estudo, nas tarefas, na organização... em TUDO! No segundo trimestre comecei a cansar daquela briga diária e passei a deixar com ele a responsabilidade dos estudos, que eram DELE.


As notas foram caindo significativamente e pela primeira vez, veio uma nota abaixo da média. No caminho, indo para a reunião buscar o boletim ele estava agitado, ansioso, com medo de mim, ânsia de vômito até, ele estava quase em pânico. Quando estávamos saindo de casa, somente nós dois, ele me perguntou: “mãe... eu tirei nota baixa em ciências e não consegui recuperar”. E silenciou... me lembro como se fosse ontem... eu, dirigindo, falei pra ele: “filho... eu não preciso te dizer nada! Eu não vou brigar ou te deixar de castigo, não vou gritar ou fazer qualquer coisa contigo. A maior “punição que você poderia estar recebendo está vindo de você mesmo! Está legal aí dentro? Como se sente? Então... eu quero que você simplesmente aprenda e entenda, que eu estou aqui se precisar, sempre! Mas é você quem precisa fazer a sua parte, e aprender a ter consciência da sua responsabilidade.”


Esperei um tempo, ele ficou quieto... coloquei uma música que ele gosta, levantei o volume, e seguimos para a reunião.


E eu? Eu tinha duas opções... eu poderia ter deixado de castigo, tirado o vídeo game, o celular, proibido as aulas de handball que ele fazia na época, mas eu preferi simplesmente olhar nos olhos dele e dizer: “agora é com você, chegou a hora de aprender a ter consciência”.


Mas isso tudo é um processo, e nós dois precisávamos crescer e aprender a lidar com isso. Foi então que o sétimo ano começou, e o primeiro trimestre foi um caos! E a cena se repetiu, a angustia, o medo, a ansiedade... Peguei o boletim, e dessa vez eram quatro notas baixas ao invés de uma. Eram notas bem mais baixas que o 6,5 anterior. O esforço teria que ser maior.


Sentei com ele e olhando com amor e carinho para cada uma daquelas notas, percebi que em todas existia um pedido de socorro. Uma lição não aprendida, uma base mal feita, uma etapa não concluída! E fomos juntos, reconstruindo o que havia sido deixado para trás.


No segundo trimestre, acompanhei “de longe” quando via ele querendo se esforçar, e quando ele me pedia ajuda, eu estava ali... E para minha surpresa fui chamada na escola! Meu filho tinha “crescido”, segunda a professora, ele se tornara uma referência na sala de aula e no grupo, por estar consciente de suas responsabilidades. No segundo trimestre, ele foi um dos alunos destaque da turma, não pelas notas, mas pelo desenvolvimento...


As notas ainda precisavam subir, mas ele estava aprendendo com aquilo tudo... Ele estava crescendo, e eu precisei continuar acreditando, nele e em mim.


E ontem, enfim, saiu o boletim final! E o status: APROVADO! Sem recuperação, com média 7,00 em algumas matérias, mas ok! Ele NÃO PRECISA SER O MELHOR, ele não precisa ser PERFEITO! Ele só precisa Ser Ele mesmo!


Então eu vim aqui dividir isso com vocês por que tenho a minha forma de olhar essa nova geração e acredito que antes deles aprenderem as disciplinas, eles precisam aprender a ter consciência. Consciência é a “matéria” que eles levarão para a vida toda. É a base e o fundamento de tudo daqui pra frente. Eles precisam saber quem são. Testar seus limites enquanto ainda estamos podendo estar perto. Arriscar um voo sabendo que se algo der errado, ainda poderemos segurar eles no colo.


Deixar essa etapa para perto dos 40 anos, como eu fiz, não vale a pena se eu, como mãe, posso ajudar a construir um ser mais seguro e mais firme diante da vida. Essa é a minha missão como mãe desses dois filhos maravilhosos que o Criador me deu.


PERMITIR QUE ELES SE TORNEM SEGUROS, QUE CAIAM MAS QUE APRENDAM A LEVANTAR, QUE CHOREM MAS QUE APRENDAM A ERGUER A CABEÇA E CONTINUAR, E QUE ACREDITEM SEMPRE QUE PODEM, QUE CONSEGUEM, QUE SÃO CAPAZES!!!!


Berros, gritos, castigos e exigências excessivas não levam ninguém a lugar nenhum além de um lugar escuro e solitário onde se vive os medos e as inseguranças de ser quem se é de fato!


EU SOU Gabriela Mund


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