• Gabriela Mund

Multiculturalismo? Será isso mesmo?

INTRODUÇÃO As diferenças. Assim iniciamos mais uma proposta para um trabalho curricular de futuros educadores, aquelas pessoas que estão estudando para ser mestres e ensinar crianças sobre algum conteúdo pedagógico, e muito sobre o mundo... falando em diferenças.


E nesse momento me questiono, por que continuamos falando nelas? Por que continuamos colocando o foco nas diferenças e não nos unimos para apresentar uma nova proposta, longe da velha metodologia de sempre, longe dos antigos rótulos, longe das crenças e dos preconceitos que sempre fizeram parte da sociedade mundial.

Sim, esse problema não é presente apenas no Brasil. Sim, ele é um assunto a ser debatido com o mundo, porque em todos os lugares do planeta existem as diferenças que procuramos sempre deixar claras e reforçar para as novas gerações. Também não é sobre índios ou negros, é sobre permitirmos a construção e enraizamento do multiculturalismo de forma preconceituosa, ao invés de ensinarmos nossas crianças o significado dos termos “amor” e “aceitação”.

Esse trabalho tem como objetivo mostrar que o preconceito não fala de índios ou negros. O preconceito nos mostra a doença da sociedade brasileira e mundial, onde ainda existem aqueles, que por alguma razão se acham superiores e insistem em demarcar como diferentes aqueles que não são como eles.

Tratar a todos de forma igual, sem preconceitos, sem restrições, sem abusos e sem vitimismo, apenas permitindo que as crianças cresçam sem estabelecer as regras da diferença, já seria um grande avanço para aquilo que chamamos de Educação.

Enquanto nós adultos, futuros educadores, permanecermos repetindo a fórmula daquilo que não deu certo em nenhum momento da história, continuaremos tendo os mesmos resultados, que já não nos agradam mais. Talvez tenha chego a hora de descontruirmos algumas questões para então podermos buscar uma nova forma de plantar, buscar novas sementes para semear, para então, podermos colher em médio e longo prazo, os frutos novos, de uma educação nova.

DESENVOLVIMENTO



A importância do multiculturalismo para a construção de uma sociedade democrática


Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. (BRASIL, CF 1988)


Esse artigo define um parâmetro básico a ser adotado na vida e na sociedade brasileira.


E assim começamos o ano letivo, sugerindo a reflexão sobre esse artigo. Somos uma sociedade rica em termos étnicos, pois o povo brasileiro se formou através da mistura de raças que migraram para este território por inúmeros fatores, como os portugueses que vieram em busca de poder e terras, como alemães e italianos que chegaram fugidos de uma guerra, asiáticos, ou ainda africanos que vieram escravizados por europeus que necessitavam de mão de obra para construir um novo território.


A princípio existia apenas o povo indígena, que é de fato, nativo do Brasil. A cultura indígena se misturou com a africana, com a portuguesa, alemã, italiana, asiática e tudo isso faz parte da riqueza do Brasil.


Portugueses podem ser vistos como “brancos de bem” ou como “bandidos”, afinal dizimaram praticamente 90% da população que aqui vivia antes de chegarem e tudo isso em um século. Assim até hoje, para nós brasileiros, ser português tem um tom jocoso de falta de inteligência. Fazemos piadas de “português”, assim como fizemos de loira, e isso não é preconceito.


Alemães podem ser considerados “pessoas de bem” ou ainda “o lixo da sociedade de lá que veio para cá”, mas isso não gera em seus descendentes um problema social.

Italianos da mesma forma, podem ser considerados “pessoas boas”, mas podem ser “pilantras” que fugiram de suas terras para ganhar a vida numa terra nova a base de seus golpes e sua fala boa. Mas isso não confere aos de sangue italiano que aqui estão, nenhum prejuízo emocional.


Os negros vieram, amordaçados e escravizados. Foram torturados e marginalizados pelos “brancos”, mas de alguma forma, podem também ser considerados “de bem” ou talvez “não necessariamente do bem”. Sim, eles foram vítimas, mas já deixaram de ser. Se misturaram com os brancos e com os índios e aos poucos deixaram sua marca registrada na pluralidade brasileira: o tom marrom e negro de suas peles, sua alegria, a sua força física e a genética maravilhosa que pouco envelhece.


Os índios foram obrigados a “ceder” a casa deles por força. Sim... Os europeus resolveram criar uma nova sociedade, e sem amor algum, violentaram a sociedade que aqui já existia. Mas assim como todos os outros povos que fazem parte desse multiculturalismo que é a grande riqueza brasileira, houve um período de perdas e ajustes, para que chegássemos no ponto que chegamos hoje.


Então, esse ano, durante todo o ano, observaremos o nosso dia a dia. Nossos hábitos, nossas crenças, nossa forma de nos vestir. Nossos gostos. Iremos para dentro de casa e faremos uma pesquisa com os mais velhos. De onde viemos? Onde estão nossas raízes? Que povos fazem parte da nossa genética?


Nossa tarefa é debater nossos antepassados, nossas raízes culturais, perceber a deliciosa vantagem de ser um país que acolhe a todos os povos que aqui chegam e dar-lhes um LAR. Somos um povo pacífico por natureza. Aprendemos desde os primórdios que a vida nem sempre será perfeita, mas que precisamos vivê-la da melhor forma possível.


Todos somos iguais perante a Lei Maior desse país, e por isso, começaremos a debater esse assunto, sem diferenças, sem vítimas. O passado escrito com dor e descaso somente será superado quando as novas gerações compreenderem o valor de cada uma dessas etapas do desenvolvimento e da formação da nossa nação e puderem perceber o valor do amor e da aceitação de tudo e de todos.


Até chegarmos lá, continuaremos alimentando a competição, o valor da intriga, a dor da perda e da morte daqueles que não conseguiram compreender que ser brasileiro é ser multi. Ser brasileiro é aceitar, independentemente do tom de pele ou do cabelo, que todos gostamos da feijoada e do batuque africano. Que todos saudamos a cultura indígena e integramos parte dela em nossas vidas. Ser brasileiro é aceitar que parte de cada pedaço desse imenso Brasil tem seu valor e suas características próprias, e cada uma delas, possui a beleza de algum povo, de algum lugar nesse imenso planeta. Há cidades com cara de Portugal. Há cidades em estilo germânico. Há espaços com jeitinho italiano e espaços que trazem a cultura africana. E independente do que vivemos no passado somos um povo alegre e batalhador.


Ser brasileiro é saber, que por onde formos, seremos aceitos, desde que aceitemos o outro como ele é. Não é a nossa pele, nem a cultura, nem nosso cabelo, nem mesmo a condição financeira ou social que nos distancia do outro. O que nos distancia do outro é o preconceito que permitimos ser passado de geração em geração.


Brancos, negros, amarelos, índios, mestiços... somos todos iguais perante a Lei Maior do Universo.


A foto abaixo, retirada do Instagram mostra que o mundo caminha na direção dessa reflexão. Somos todos iguais, independentemente da cor da pele, todos “importamos”. Todas as vidas “importam” e precisam ser compreendidas como sendo iguais. E quem pode mudar esse panorama? Cada um que pensa diferente e busca novas formas para não repetir o padrão que já sabemos não dar bons frutos. Que todos nós possamos refletir sobre essa família maravilhosa e corajosa que com poucas palavras e muita atitude fizeram a sua mensagem chegar a outro país.




Quem sabe, possamos usar mais um exemplo de como as redes sociais andam sendo palco desse movimento pelo fim das diferenças. No dia 16 de setembro de 2020, a página do Facebook Colher na Mesa publicou uma foto mostrando que um menino encontrou um gêmeo em sala de aula e por isso precisava de uma roupa igual e pediu para a sua mãe, porque afinal eles dois eram iguais e poderiam comemorar o “dia dos gêmeos na escola”.

Na foto da publicação, podemos ver que a mensagem é clara: SOMOS TODOS IGUAIS!





O Brasil é um país novo, onde todos são acolhidos. Quem sabe ao invés continuar estudando e defendendo as diferenças, não começamos a mudar o olhar e entender a nossa história como um caminho necessário para que hoje o Brasil seja um país com as características que possui?

Eu posso fazer isso por mim, pelos meus filhos e principalmente pelas futuras gerações, e você?


EU SOU Gabriela Mund


*texto produzido para a proposta de trabalho semestral do curso de Pedagogia.

11 visualizações0 comentário