• Gabriela Mund

O que aconteceu quando a “Tia” foi embora e chegou a “Prof.”???

Atualizado: 4 de jun. de 2020

Bom... quero dividir isso com vocês que tinham tias ao invés de profs em sala de aula quando eram crianças.


Trabalhando agora em escolas, fazendo oficinas artísticas, me apresento como a Tia Gabi quando entro em uma sala de aula.


Durante as oficinas menciono a expressão “Tia Gabi” inúmeras vezes, como por exemplo: “a Tia Gabi preparou a água”, “a Tia Gabi acredita em...” e depois de quase 10 oficinas em uma escola, fui questionada por duas turmas diferentes, durante essa semana o por que eu me chamava de “Tia Gabi”.


Achei aquela pergunta engraçada e dei uma risada, e respondi da forma meio automática diante daquela pergunta tão inesperada: “por que quando eu estava sentada nessas carteiras, nós chamávamos nossas professoras de tia, e eu amava!”.


Quando saí da sala onde me fizeram essa pergunta na sexta-feira à tarde, passei a me questionar por que para eles é tão estranho... afinal, tia é a irmã do pai ou irmã da mãe, e ponto final. Mas para quem teve aula com a “Tia” vai entender do que eu estou falando.


A Tia era a mulher mais importante no mundo depois da mãe da gente. Ela era uma segunda mãe. Ela olhava, cuidava, brigava, ensinava, nos dava abraço, beijo e nos tratava, talvez como “sobrinhos”. Desenvolvíamos um laço profundo com elas, elas eram muito mais que professoras, elas eram nossas “tias”.


Mas com o tempo essa expressão foi dita imprópria, errada e numa virada de ano, foi extinta, dando lugar ao termo “prof”.


Bom, a Tia virou Prof e como o próprio nome diz, ela se tornou profissional, professora e com o passar do tempo, abandonou a função da “Tia”.


O nome promoveu uma distância natural entre o aluno e a profissional, a professora, pessoa responsável por ensinar.


A escola por si só já é um bocado intensa e agressiva para a maioria das crianças que tem que lidar com amigos, deboches, competições, risadas, tombos, notas, provas, exercícios, cobranças e tarefas.


E a aprendizagem? Bom, essa é a meta, o objetivo... Mas e o resto? Cadê o resto??? Aquilo que todo ser humano precisa para se sentir acolhido e seguro para conseguir aprender? Calor? Amor? Proximidade? Afeto? Empatia?


Talvez seja somente uma palavra... mas pela primeira vez percebi o quanto as “tias” foram importantes em minha construção de mim mesma! Por isso, continuarei sendo a Tia Gabi, com a certeza de que essa Tia pode fazer a diferença na vida de cada um que estiver sentado numa carteira, sem me preocupar com o politicamente correto, mas olhando a relação que se estabelece no coração.


Gabriela Mund



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