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  • Gabriela Mund

Que tal começarmos pelos professores?

Nunca imaginei que me apaixonaria tanto por Filosofia... e o quanto ela me faria refletir...


No estudo dessa arte, tenho encontrado as chaves que explicam o mundo como vemos hoje. Nas leituras dos textos sobre ética, razão, racionalidade, moral, encontrei um caminho para compreender, de certa forma, o que vivemos.


Entendo agora por que Rudolf Steiner mencionou certa vez que “O grande vácuo que existe dentro do ser humano é a distância entre a Religião e a Ciência.” De fato, Decartes um dos principais Iluministas, autor do Plano Cartesiano utilizado até hoje, foi o responsável por bater o martelo e separar de vez a ciência da espiritualidade. Sem desmerecer suas contribuições ao processo, precisamos rever alguns pontos. Decartes é apenas um dos filósofos que construiu a educação como temos hoje.


Nosso processo educacional pede socorro. A base da educação é antiga. A formação de professores deixa de certa forma uma brecha clara, quando analisado o texto de Maurice Tardif (2012, pg.17), na introdução do livro Saberes Docentes e Formação Profissional:

...”Antes mesmo de ensinarem, os futuros professores vivem nas salas de aula e nas escolas – e, portanto, em seu futuro local de trabalho – durante aproximadamente 16 anos (ou seja, em torno de 15.000 horas). Ora, tal imersão é necessariamente formadora, pois leva os futuros professores a adquirirem crenças, representações e certezas sobre a prática do ofício de professor, bem como sobre o que é ser aluno. Em suma, antes mesmo de começarem a ensinar oficialmente, os professores já sabem, de muitas maneiras, o que é o ensino por causa de toda a sua história escolar anterior. Além disso, muitas pesquisas mostram que esse saber herdado da experiência anterior é muito forte, que ele persiste através do tempo e que a formação universitária não consegue transformá-lo nem muito menos abalá-lo.”


Nessas palavras percebemos que os professores precisam ser o foco para que possamos melhorar a qualidade da educação. Se a formação acadêmica não é suficiente para abalar os saberes adquiridos na escola durante o período de infância e adolescência, chegou a hora de questionar muita coisa. Professores já foram crianças que sofreram bullying. Professores já foram crianças que não se adaptaram, que tiveram dificuldades, que tiveram amigos, que tiveram dificuldades de aprender determinado conteúdo, ralaram para decorar e tabuada, enfim, que viveram momentos doces e amargos na escola. Esses registros estão lá. Um pouco mais à frente na leitura do livro acima mencionado, encontramos uma informação valiosa: em momentos de crise numa sala de aula, o professor tende a responder baseado nas suas crenças (inconsciente) e não como ensinado na graduação (consciente). É preciso trabalhar o inconsciente...


A sala de aula hoje é um campo de batalha. Há uma história por trás de um professor que possui família, dificuldades e muitas questões que não são levadas em conta no processo de formação. Por outro lado, há crianças inseridas em famílias com aspectos particulares e individuais que nem sempre são acolhidas como precisariam ser. Há pais, diretores, coordenadores, supervisores e muitos outros que acabam, mesmo sem querer, interferindo ativamente no processo de aprendizagem. Todos precisam de atenção.


Mas aqui, quero deixar a reflexão sobre o cuidado urgente com os professores. Em virtude dos processos individuais que cada ser humano que vive nesse planeta enfrenta em seu interior nesse momento, é chegada a hora de estender a mão a esses profissionais e oferecer-lhes ajuda.


São eles que em menos de um mês estarão iniciando mais um ano letivo, envolvidos em dúvidas, angustias, medos, incertezas e certamente estão lutando bravamente para manter em seus corações a chama da esperança, da fé e do amor acesas. Eles sabem que há crianças que precisam deles. Eles sabem da sua importância no contexto social, mesmo sem terem o devido reconhecimento por parte da sociedade.


Vamos juntos discutir sobre o tema! Rodas de conversa podem ser uma aventura deliciosa nesse período de planejamento do ano. Falar de emoções e sentimentos pode ser a chave para que muitos consigam aliviar as preocupações.


Vamos lá. O futuro da nossa sociedade depende deles. Eles são os mestres que conduzem a educação dos nossos filhos. São eles que precisam de um olhar a mais agora.




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