• Gabriela Mund

Um pouco de mim, pra começar...

Eu não sabia exatamente o que seria, mas eu sabia que seria... e hoje eu resolvi deixar o medo de lado, o medo das críticas, o medo do julgamento, o medo... aquele que insiste em controlar a vida que levamos, e tenta de todo jeito impedir de sermos mais e contar um pouco de como fiz para chegar aqui... O medo sempre me impediu de dividir o que fui aprendendo, o que fui observando, o que fui absorvendo, descobrindo e os incríveis resultados de todo esse processo que começou em algum ano deste novo século, não sei exatamente quando, mas tudo se agravou em 2012, mas em 2014 embarquei num caminho que então não poderia mais voltar.

Dores crônicas nas costas, joelho, crises de labirintite, depressão... Quando achei que não poderia piorar, vieram as crises de pânico que foram se tornando mais frequentes até se tornarem diárias... Tudo isso acontecia dentro do meu corpo enquanto eu tentava com toda a minha força levar uma vida normal. Levar uma vida “feliz”, cercada de meus dois filhos, meu marido, numa linda casa, com uma loja dos sonhos a qual eu era a proprietária e administrava, ou tentava, o que na verdade eu nunca consegui. Na verdade eu nem conseguia nada. Eu não conseguia mais viver. Eu não conseguia mais...

Quando eu olhava ao redor, via pessoas aparentemente felizes, vivendo com suas famílias perfeitas, com filhos, viagens, maridos perfeitos, casas cheias de coisas, carros lindos, roupas da moda e como que num passe de mágica tudo perdeu o sentido. Num processo que não sei definir exatamente como começou, vi o mundo ficar preto e branco, onde nada mais fazia sentido, por que nada parecia ter um propósito. A vida simplesmente corria, e as pessoas seguiam, mas eu parei! Eu parei no meio da estrada e muitas vezes fui atropelada por quem simplesmente queria passar, mesmo sem saber para onde ir. Todos queriam ir... Todos iam, mas eu não poderia mais ir junto. Eu estava diferente, algo tinha acontecido. Tudo estava sem sentido. E qual o sentido, se nada tem sentido? E eu fiquei parada. O medo surgiu como nunca! A culpa... ahh a culpa... como eu não era mais feliz com tudo o que eu tinha? Como??? Como eu podia ter tudo e não ser feliz? Quão ingrata eu me senti... Eu tinha tudo!!!! Mas o vazio crescia a cada dia... talvez a cada hora, e então percebi que o vazio crescia a cada batida do meu coração, pois era uma a menos, e eu estava me tornando consciente de que o tempo passa e não volta! E eu me sentia parada!

Tudo isso acontecia dentro de mim com uma velocidade e uma intensidade que só quem me conhece de verdade é capaz de entender e compreender, eu estava mudando... e estava doendo... eu sangrava por dentro! Eu sentia medo, eu me culpava, eu me sentia uma estranha, alguém que eu deixei de reconhecer quando olhava no espelho. Foi então que me perdi... Me perdi de tudo, e na busca por me machucar menos, por doer menos, eu escolhi dormir. Dormir e me desligar de tudo aquilo que acontecia. Eu simplesmente me dopava com antidepressivos para não sentir, e por um tempo funcionou. Por um tempo a droga resolveu o problema.

Mas em 2014 a droga, o remédio que prometia resolver a situação passou a não resolver mais nada e eu estava de novo entrando em contato com aquilo tudo. Aquilo tudo que eu não queria mais voltou. Foi então que a vida me colocou um anjo no caminho, que no meio de uma revolução em família me indicou que procurasse um centro espírita, e que iniciasse estudos pois havia algo que eu precisava compreender. E assim eu fiz. Comecei então a participar das palestras e dos passes e nessa mesma época meu ex marido precisou de ajuda de um osteopata e seguindo indicações de conhecidos acabamos no consultório do responsável por aquele centro espírita que estávamos frequentando, ele era o osteopata. Bom, nesse momento os processos se aceleraram muito! Além das palestras e passes, passei a frequentar os estudos para iniciantes da doutrina Kardecista. E assim foi... em agosto eu voltava às minhas origens!

Como assim origens? Bom, vim de uma família espiritualista e quando criança vivia esse mundo de forma muito próxima, o que me fazia sentir medo por não compreender exatamente o que era e como funcionava, e por isso resolvi deixar de lado. Era mais fácil para uma criança que ouvia e enxergava coisas que não gostava e não compreendia. Eu decidi me fechar! Mas a vida nos traz de volta! Sempre!!!!

E foi lá que no início de outubro em virtude um problema familiar, eu tive uma crise grave! O remédio não servia para nada! Eu estava novamente parada, mas o fluxo à minha volta era muito maior que antes. Não eram apenas pessoas que atropelavam! O medo havia se tornado um monstro, meus pensamentos não faziam sentido algum e nada mais parecia ser real. Foi então que dentro desse centro espírita que recebi ajuda, e iniciei, junto com minha família, uma serie de tratamentos que seriam necessários.

Logo após o início dessa crise, fiz uma viagem para Paris, e algo aconteceu! Não sei por que razão, eu havia mudado de novo! Mas dessa vez não era por dentro, era por fora! Algo que não compreendia, acontecia comigo! Eu fui uma Gabriela, e voltei outra! Passei a me cuidar mais, e por incrível que pareça, me encontrei com uma parte minha que desconhecia. Alguém que passou a gostar de se arrumar no inverno. Alguém que nunca sabia o que vestir, o que usar, passou a ver uma nova forma de se enxergar. Foi incrível! Deixando o romantismo de lado, e olhando com olhos que quem estava em busca de algo a mais, algo acontecera ali... Eu havia me transformado novamente!

Mas por dentro eu estava igual. Procurando um sentido para tudo, buscando uma razão para eu estar aqui. O que seria? Estava tudo errado! Tinha que haver um propósito maior! Tinha que ter... Deus, o Pai, o Criador ou ainda o Universo, não nos manteria “vivos” para simplesmente viver como estávamos vivendo... Onde estava o propósito da vida? Qual era o meu propósito?

O tempo passou, atropelando tudo e as crises de pânico e as dores com a leitura de livros, com o estudo na casa espírita, com algumas mudanças que consegui colocar em prática foram suavizando, mas permaneciam ali... para me lembrar que algo mais precisava ser feito.

Em 2016 cheguei à conclusão que precisava seguir para um próximo passo. Minha alma gritava, algo acontecia no meu corpo quando fazíamos o evangelho no lar. Eu buscava mais informações ali, no lugar onde eu estava mas ninguém sabia me dizer o que acontecia. Me sugeriram ignorar, mas esse já tinha sido o meu caminho por tanto tempo, e não resolvia, eu precisava de uma resposta! O que acontecia comigo? O que havia nesse mundo? Sentia que o mundo que vivemos era muito maior do que os ensinamentos do Kardecismo mostravam e eu precisava de mais... Cada dia mais eu lia, buscava informações que a minha alma pedia. Eu tinha fome de compreender o que acontecia. Eu precisava descobrir o que me chamava.

Foi então que no dia 07 de setembro desse ano de 2016 cheguei a uma Fraternidade Branca, num atendimento chamado “Portal de Antares”, onde as pessoas iam buscar as suas curas. E quando sentei lá, diante de todos aqueles médiuns eu fiz um pedido que partiu da minha alma, por que a minha mente tinha outros planos, mas quem falou ali foi a minha alma. E ela pediu: “eu preciso me encontrar!” E esse momento eu não me esquecerei jamais! Por que a partir dali, algo aconteceu de novo! Eu passava por uma nova mudança, um novo despertar. Uma outra parte de mim acordava para a realidade e não gostava nada do que estava vendo e vivendo.

Nesse espaço da Fraternidade Branca havia um mundo diferente, cheio de novas descobertas e novas possibilidades e eu tinha ali, um novo campo para minhas pesquisas, novas obras, novas referências, um novo mundo se apresentava. E eu estava curiosa. E eu segui.

Em 2017 houve uma nova mudança. Em janeiro eu tive um “papo” com o céu e com todos os que ali estavam! Eu pedi ajuda, eu pedi que me tirassem da onde eu estava, eu não queria mais sentir aquilo, e não havia o que me impedisse de ir em frente! Não sei se essa mudança foi a maior, mas foi bastante drástica e aconteceu em todos os aspectos da minha vida! Mas eu precisava! Eu estava sufocada! Eu precisava me permitir sair de tudo aquilo, para então tentar recomeçar, tentar entender o que acontecia comigo. Eu já tinha percebido que para tudo tinha que ter um propósito, que eu não tinha encontrado, eu tinha certeza de que tinha um sonho, mas tinha perdido ele pelo caminho, e eu tinha certeza de que a vida era mais... era mais do que correr atrás de dinheiro para viver “bem”, para viajar, para comprar, para ter! Era preciso ser! Era preciso encontrar algo maior. E esse passou a ser o meu objetivo! E para quem tinha tudo que o dinheiro pode comprar, mas não tinha nem um sonho, era hora de parar e recomeçar. A vida estava invertida! Era hora de aprender!!! Era hora de se redescobrir! Era hora de SER! Era hora de descobrir o que existe ali na frente! Logo atrás do medo. Logo ali, onde o sol nasce.

E hoje eu digo, que muito sofri, muito chorei, muito gritei, muito eu caí! Mas tudo valeu a pena! E por isso, por que imagino que outros estão passando por isso também, por que eu descobri que se desconstruir e se reconstruir, se perder para então se encontrar é o caminho que todos deveremos trilhar em algum momento da vida, eu resolvi dividir um pouco do que aprendi. Não teremos tempo hábil para ler tudo, para ler e buscar em todos os livros, mas creio que faz parte da minha parte que estou redescobrindo agora, dividir o que aprendi no livros que li e nas experiências que vivi, para poder ajudar a quem está aí, e muitas vezes não tem ideia de onde vai parar. Eu também não tenho... Mas eu preciso compartilhar o que sei... Esse é o meu jeito de contribuir... Assim que os textos forem sendo escritos, estarei publicando... Espero contribuir de alguma forma com minhas experiências, pois muito aprendo lendo as experiências de outros que da mesma forma compartilham para o crescimento daqueles que se identificam com a história... Um grande abraço e boa sorte para todos nós.

E essa imagem? Se refere á uma oração maravilhosa que aprendi desde muito pequena:

Muitas são as vistas que descortina

Àquele que alcançou o cume da montanha

Oh Amado Mestre

Harmonizai o meu espírito e trazei a Luz à minha Mente!


Gabriela Mund


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